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O que são demências, como surgem e quais os tratamento adequados para cada tipo?

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A abordagem sobre o que são demências e tudo que as envolve é um assunto de extrema importância no contexto da saúde mundial. Afinal, em um recorte apenas dentro do Brasil, o Relatório Nacional sobre a Demência aponta que cerca de 8,5% da população brasileira com 60 anos ou mais convive com a doença.

Em resumo, isso corresponde a cerca de 2,71 milhões de casos. Além disso, a projeção é que até 2050, 5,6 milhões possuam esse diagnóstico no país.

Por isso, a Enlite preparou esse conteúdo exclusivo que irá abordar o que é demência, como ela surge e quais os tipos de tratamento e cuidados. Acompanhe conosco e boa leitura!

Importância da perspectiva psicossocial e de saúde sobre a demência

Primeiramente, é importante entender que a demência precisa ser discutida além dos aspectos puramente médicos. Isso porque a abordagem psicossocial reconhece que a doença afeta não apenas o indivíduo, mas todo o seu entorno familiar e social. Sendo assim, ter uma perspectiva holística sobre ela favorece pontos como:

– Melhor compreensão dos sintomas e suas implicações no cotidiano;

– Desenvolvimento de estratégias de cuidado mais eficazes;

– Suporte emocional adequado para pacientes e cuidadores;

– Preservação da dignidade e autonomia do paciente, na medida do possível.

Além disso, a visão psicossocial ajuda a combater o estigma associado à demência, o que permite a promoção de uma sociedade mais inclusiva e compreensiva.

Afinal, o que é demência?

Em síntese, a demência é uma síndrome que se caracteriza por declínio cognitivo e/ou alterações comportamentais que interferem significativamente nas atividades diárias e na independência do indivíduo.

Para isso, tem entre suas principais características algumas condições como:

– Declínio progressivo da memória, raciocínio e outras funções cognitivas;

– Alterações de comportamento e humor;

– Impacto na capacidade de realizar tarefas cotidianas;

– Não explicação por delirium ou doença psiquiátrica maior.

Sendo assim, é importante ressaltar que a demência não é uma consequência natural do envelhecimento, mas sim uma condição patológica que requer diagnóstico e cuidados específicos.

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Diferenciando demência de outras condições

A demência pode ser facilmente confundida com outras condições que afetam o comportamento e a cognição. Por isso, é necessário compreender algumas distinções importantes para um tratamento e acompanhamento profissional mais assertivo.

A seguir, listamos algumas características que contrapõem a demência com outras condições de saúde mental.

Depressão vs. Demência

Depressão | Em resumo, costuma ter um início mais abrupto, humor persistentemente baixo, perda de interesse em atividades antes prazerosas. Além disso, pode haver queixas de memória, mas o desempenho melhora com dicas.

Demência | Com início gradual, declínio progressivo da memória e outras funções cognitivas, dificuldade em realizar tarefas cotidianas.

Delirium vs. Demência

Delirium | Acontece com início súbito, alteração do nível de consciência, flutuação dos sintomas ao longo do dia, geralmente reversível.

Demência | Por sua vez, ocorre com início insidioso, progressão lenta, sem alteração significativa do nível de consciência.

Comprometimento Cognitivo Leve (CCL) vs. Demência

CCL | Acontece a partir de um declínio cognitivo perceptível, mas sem impacto significativo nas atividades diárias.

Demência | O declínio cognitivo é mais acentuado, com interferência notável na funcionalidade e independência.

Prevalência global e no Brasil de casos de demências

A demência é um problema de saúde global com números alarmantes e em crescimento. Por exemplo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), estimava-se que 57,4 milhões de pessoas viviam com alguma forma de demência no mundo em 2023.

Contudo, a projeção para o Brasil prevê um aumento para 2,78 milhões de casos até o final desta década e 5,8 milhões em 2050. Além disso, a prevalência aumenta significativamente com a idade, conforme dados a seguir:

– 3% entre 65-69 anos;

– 9% entre 75-79 anos;

– 21% entre 85-89 anos;

– 43% após os 90 anos.

Outro ponto importante a se notar é que esses números podem ser subestimados. Isso porque estimativas sugerem que mais de 70% das pessoas com demência no Brasil não estão diagnosticadas. O que ressalta, por exemplo, a necessidade de melhorias no diagnóstico precoce e na conscientização sobre a doença.

De modo geral, o aumento nos casos de demência é uma tendência global, mas é especialmente preocupante em países de média e baixa renda, como o Brasil. Afinal, fatores como o rápido envelhecimento populacional, a melhoria no diagnóstico e o controle inadequado de fatores de risco (como diabetes, hipertensão e obesidade) contribuem para esse cenário.

Demências

Principais causas dos quadros de demência

As causas da demência são multifatoriais. Ou seja, envolvem uma complexa interação entre fatores genéticos, ambientais e condições médicas preexistentes. Por isso, compreender esses fatores é crucial para o desenvolvimento de estratégias de prevenção e tratamento mais eficazes. Conheça, a seguir, os principais entre eles.

Fatores genéticos

Primeiramente, devemos pontuar que a genética desempenha um papel significativo no desenvolvimento de várias formas de demência. Por exemplo:

– Na doença de Alzheimer, mutações nos genes APP, PSEN1 e PSEN2 estão associadas a formas hereditárias de início precoce;

– O gene APOE, especialmente a variante APOE-ε4, aumenta significativamente o risco de Alzheimer de início tardio;

– Por fim, outras doenças neurodegenerativas, como Parkinson, têm componentes genéticos identificados, incluindo mutações nos genes SNCA, LRRK2, VPS35, PARK2 e PINK1.

Entretanto, é crucial notar que a presença de fatores genéticos de risco não determina necessariamente o desenvolvimento da doença, mas aumenta a predisposição.

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Fatores ambientais

Por outro lado, o ambiente e o estilo de vida também têm um impacto substancial no risco de demência. Sendo assim, devemos sempre nos atentar a condições como:

– Exposição à poluição do ar, que é um dos principais fatores de risco identificados em estudos recentes;

– Consumo excessivo de álcool;

– Baixos níveis de escolaridade e menor engajamento em atividades cognitivamente estimulantes ao longo da vida;

– Estresse crônico e dieta rica em gorduras saturadas podem alterar a expressão de genes associados ao Alzheimer, dentre outros.

Doenças neurodegenerativas

De modo geral, as doenças neurodegenerativas são a principal causa de demência. Para explicar isto, vale a pena pontuar que:

– A doença de Alzheimer é responsável por 60 a 80% dos casos de demência;

– Demência por corpúsculos de Lewy e Demência Frontotemporal são outras causas comuns;

– A doença de Parkinson frequentemente leva a sintomas de demência em estágios avançados.

Em síntese, essas condições caracterizam-se pela perda progressiva de neurônios em áreas específicas do cérebro, levando ao declínio cognitivo.

Condições médicas

Várias condições médicas aumentam o risco de demência ou podem ser causas diretas:

– Diabetes é um fator de risco significativo, sendo um dos principais identificados em estudos recentes;

– Hipertensão arterial, especialmente quando não controlada, aumenta o risco de demência vascular e pode contribuir para o desenvolvimento de Alzheimer;

– Doenças cardiovasculares, incluindo aterosclerose e fibrilação atrial, são fatores de risco importantes para demência vascular;

– Por último, obesidade e sedentarismo estão associados a um maior risco de desenvolver demência.

Além disso, a demência vascular, causada por problemas no suprimento sanguíneo cerebral, frequentemente resulta de condições como hipertensão, diabetes e doenças cardíacas.

É fundamental ressaltar que muitos desses fatores de risco são modificáveis. Sendo assim, adotar um estilo de vida saudável, como incluir uma dieta equilibrada, exercícios regulares, controle de doenças crônicas e engajamento em atividades cognitivamente estimulantes, pode reduzir significativamente o risco de desenvolver demência.

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Principais tipos de demência

Embora existam diversos tipos de demência, vamos explorar abaixo os cinco principais, que são: Doença de Alzheimer, Demência Vascular, Demência Frontotemporal, Demência com Corpos de Lewy e Demência de Parkinson. Conheça-os melhor a seguir.

Tipos de demência

Doença de Alzheimer

Primeiramente, temos a  Doença de Alzheimer, que é a forma mais comum de demência, responsável por 60 a 80% dos casos. Em resumo, esta condição neurodegenerativa afeta progressivamente as células cerebrais, o que leva à uma deterioração das funções cognitivas.

Normalmente, os primeiros sinais da Doença de Alzheimer geralmente incluem a dificuldade em lembrar informações recentes e problemas para encontrar palavras em conversas. Contudo, ao evoluir, ele costuma causar desorientação em lugares familiares, dificuldade  em tomar decisões e resolver problemas simples e mudanças de humor e personalidade.

À medida que a doença avança, os sintomas se intensifica e torna-se comum:

– Perda significativa de memória, especialmente de eventos recentes;

– Dificuldades crescentes com a linguagem e comunicação;

– Desorientação temporal e espacial;

– Mudanças comportamentais mais acentuadas, como agitação e agressividade;

– Dificuldade em realizar tarefas diárias básicas.

Por último, nos estágios avançados, o paciente pode perder a capacidade de se comunicar, reconhecer entes queridos e cuidar de si mesmo.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico da Doença de Alzheimer se baseia principalmente na avaliação clínica, histórico médico e testes cognitivos. Por exemplo, através de exames de neuroimagem, como ressonância magnética,.

Embora não exista cura, o tratamento visa retardar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida. Para isso, administra-se medicamentos como inibidores da colinesterase e memantina que podem ajudar a controlar os sintomas.

Terapias não farmacológicas, como estimulação cognitiva e atividade física, também desempenham um papel importante.

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Demência vascular

Já a demência vascular é o segundo tipo mais comum de demência, resultante de problemas no suprimento sanguíneo cerebral. Suas principais causas incluem:

– Acidente Vascular Cerebral (AVC);

– Múltiplos pequenos infartos cerebrais;

– Doenças dos pequenos vasos sanguíneos cerebrais;

– Condições que afetam a circulação sanguínea, como hipertensão e diabetes.

Em síntese, os sintomas da demência vascular podem variar dependendo da área do cérebro afetada, mas geralmente incluem as dificuldades de planejamento e organização e problemas de concentração e atenção. Além disso, a pessoa também passa por lentidão no processamento de informações, alterações de humor e personalidade e problemas de equilíbrio e coordenação motora.

O que são demências capa EnLite

Diagnóstico e tratamento da demência vascular

O diagnóstico é feito através de avaliação clínica, testes cognitivos e exames de neuroimagem, como tomografia computadorizada ou ressonância magnética, que podem revelar danos vasculares no cérebro. Contudo, o tratamento foca no controle dos fatores de risco vascular, como hipertensão e diabetes.

Em diversos casos, também há o uso de medicamentos para melhorar a circulação cerebral e terapias de reabilitação cognitiva.

Demência frontotemporal

A Demência Frontotemporal (DFT) é caracterizada pela degeneração dos lobos frontais e temporais do cérebro, afetando principalmente o comportamento e a linguagem. Seus principais sintomas incluem as mudanças significativas de personalidade e comportamento, desinibição social e impulsividade e apatia ou comportamento obsessivo-compulsivo. Além disso, a pessoa passa a ter maiores dificuldades de linguagem, falta de empatia e julgamento social.

É importante pontuar que a DFT difere do Alzheimer em vários aspectos. Por exemplo, pelo fato de ter início mais precoce, geralmente entre 45 e 65 anos. Outro ponto é que ela mantém a preservação inicial da memória, com problemas de comportamento e linguagem mais proeminentes e tem menor impacto na orientação espacial e temporal nos estágios iniciais.

Por isso, o diagnóstico da DFT é desafiador e geralmente requer uma combinação de avaliação clínica, testes neuropsicológicos e exames de neuroimagem.

Demência com Corpos de Lewy

A próxima da lista de demências mais comuns é a demência com corpos de Lewy (DCL). Em resumo, ela se caracteriza pela presença de agregados proteicos anormais (corpos de Lewy) no cérebro. Seus sintomas específicos incluem:

– Flutuações na cognição e no estado de alerta;

– Alucinações visuais vívidas e recorrentes;

– Sintomas parkinsonianos, como rigidez e tremor;

– Distúrbios do sono REM;

– Sensibilidade a medicamentos antipsicóticos.

A DCL compartilha características com a Doença de Parkinson, como por exemplo, a presença de corpos de Lewy no cérebro. Porém, a principal diferença está no início dos sintomas. Afinal, na DCL, os sintomas cognitivos geralmente aparecem antes ou simultaneamente aos sintomas motores.

O tratamento envolve o manejo dos sintomas cognitivos e motores, com cuidado especial na prescrição de medicamentos devido à sensibilidade a certos antipsicóticos.

Demência de Parkinson

Por fim, a demência é uma complicação comum da Doença de Parkinson e afeta cerca de 50% dos pacientes após 10 anos de doença.Os principais sintomas presentes são:

– Declínio cognitivo progressivo;

– Dificuldades de atenção e concentração;

– Lentidão no processamento de informações;

– Problemas de memória, especialmente na evocação;

– Dificuldades nas funções executivas (planejamento, organização);

– Alterações de humor, incluindo depressão e ansiedade;

– Alucinações visuais.

Além disso, a evolução da doença é gradual, com os sintomas cognitivos geralmente se desenvolvendo anos após o início dos sintomas motores do Parkinson.

Diagnóstico e tratamento do Parkinson

O diagnóstico da Demência de Parkinson é baseado na história clínica, exame neurológico e testes cognitivos. O tratamento envolve o manejo dos sintomas motores e cognitivos, com ajustes cuidadosos na medicação para equilibrar o controle motor e a função cognitiva.

Sintomas iniciais comuns nas demências

Os primeiros sinais de demência são frequentemente sutis e podem ser confundidos com o envelhecimento normal. Todavia, a perda de memória recente é geralmente um dos primeiros sintomas notáveis, com o indivíduo apresentando dificuldade em lembrar eventos recentes ou informações novas.

Problemas de linguagem também são comuns, manifestando-se como dificuldade em encontrar palavras adequadas durante conversas ou em compreender diálogos mais complexos.

Desorientação, especialmente em ambientes não familiares, é outro sintoma precoce, assim como mudanças de personalidade, que podem incluir alterações de humor, irritabilidade ou apatia. Além disso, muitas pessoas com demência inicial também experimentam dificuldades em realizar tarefas cotidianas antes familiares, como gerenciar finanças ou seguir receitas.

Progressão dos sintomas

À medida que a demência avança, os sintomas se tornam mais evidentes e incapacitantes. Isso porque a progressão geralmente é gradual, mas pode variar significativamente entre indivíduos e tipos de demência.

Ou seja, nos estágios intermediários, os problemas de memória se agravam, afetando tanto a memória recente quanto a remota. As dificuldades de comunicação e linguagem se intensificam, e o indivíduo começa a necessitar de ajuda em atividades básicas da vida diária.

Por sua vez, alterações comportamentais tornam-se mais pronunciadas, podendo incluir agitação, agressividade ou comportamentos inadequados. Alguns indivíduos podem desenvolver sintomas psicóticos, como alucinações.

Já nos estágios avançados da demência, a perda de memória se torna severa, incluindo a incapacidade de reconhecer familiares próximos. Em outras palavras, a dependência para cuidados pessoais torna-se total, e problemas de mobilidade podem levar à restrição ao leito. Incontinência urinária e fecal são comuns nesta fase, assim como dificuldades na deglutição e alimentação. E claro, a comunicação pode se tornar severamente limitada ou até mesmo impossível.

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O que são demências

Diagnóstico da demência

Após entender o que é demência e suas características diversas, vamos abordar a seguir como ocorre seu diagnósticos. Mas de modo geral, devemos entender que ele é um processo complexo que envolve uma abordagem multidisciplinar. Ou seja, geralmente combina avaliação clínica, exames laboratoriais, neuroimagem e testes neuropsicológicos. Isso porque esta abordagem abrangente é essencial para um diagnóstico preciso e para diferenciar entre os diversos tipos de demência.

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Métodos de avaliação clínica

A avaliação clínica é o ponto de partida fundamental no diagnóstico da demência. Para isso, inicia-se com uma anamnese detalhada, que inclui o histórico médico completo do paciente e informações fornecidas por familiares ou cuidadores sobre mudanças no comportamento e nas habilidades cognitivas.

O exame físico e neurológico minucioso também é realizado para identificar sinais de doenças neurológicas ou sistêmicas que possam estar contribuindo para o declínio cognitivo.

Por último, um elemento crucial da avaliação clínica é a aplicação de testes de rastreio cognitivo. Por exemplo, o Mini-Exame do Estado Mental (MMSE) que avalia a orientação, memória, atenção e linguagem em aproximadamente 5 minutos.

Outros testes breves, como o teste do relógio e testes de fluência verbal, podem complementar a avaliação inicial.

Exames laboratoriais e de imagem

Os exames laboratoriais são essenciais para excluir causas reversíveis de demência e identificar comorbidades. Sendo assim, os exames obrigatórios incluem hemograma completo, função tireoidiana, hepática e renal, dosagem de vitamina B12 e sorologia para sífilis. Afinal, estes exames podem revelar condições como deficiência de vitamina B12, hipotireoidismo ou infecções que podem mimetizar ou exacerbar sintomas de demência.

Já a neuroimagem estrutural, como tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM) de crânio, é fundamental para identificar lesões cerebrais, como tumores, acidentes vasculares cerebrais ou hidrocefalia.

A RM, em particular, pode revelar padrões de atrofia cerebral característicos de diferentes tipos de demência. Por exemplo, na Doença de Alzheimer, observa-se atrofia do hipocampo e do córtex temporal medial.

Exames de neuroimagem funcional, como PET (Tomografia por Emissão de Pósitrons) e SPECT (Tomografia Computadorizada por Emissão de Fóton Único), também podem ser úteis em casos complexos, revelando padrões de metabolismo cerebral ou perfusão sanguínea alterados.

Testes neuropsicológicos

Por último, temos a avaliação neuropsicológica detalhada é um componente crucial no diagnóstico da demência, especialmente nos estágios iniciais quando os testes de rastreio podem ser inconclusivos. Isso porque esta avaliação fornece um perfil abrangente das funções cognitivas, incluindo memória, atenção, linguagem, funções executivas e habilidades visuoespaciais.

Para isso, utiliza-se testes como a Escala de Avaliação da Doença de Alzheimer – Cognitiva (ADAS-Cog) e a Escala de Avaliação de Demência (DRS).

Tratamento da Demência

Obviamente, devido às suas características complexas e múltiplas, o tratamento da demência é multifacetado e envolve abordagens farmacológicas e não farmacológicas. Contudo, todos têm o objetivo de retardar a progressão da doença, gerenciar os sintomas e melhorar a qualidade de vida do paciente e dos cuidadores. Conheça-os a seguir.

Opções farmacológicas

Trata-se dos inibidores da colinesterase, que são a principal classe de medicamentos utilizados no tratamento da Doença de Alzheimer e outras formas de demência. Eles variam de acordo com o estágio da doença e a resposta do paciente.

Entretanto, em alguns casos, medicamentos adicionais podem ser prescritos para gerenciar sintomas específicos. Por exemplo, os ansiolíticos para agitação e insônia e os antidepressivos para tratar depressão e ansiedade que podem se associar à demência.

Em todos os casos, é fundamental que o uso destes medicamentos seja cuidadosamente monitorado por um médico especialista. Afinal, possuem os potenciais efeitos colaterais e interações medicamentosas.

Terapias não farmacológicas

Já as intervenções não farmacológicas desempenham um papel vital no manejo da demência. Em resumo, elas não apenas visam melhorar a cognição, mas também promovem o bem-estar emocional e social do paciente. Destacam-se entre elas:

Terapia de Estimulação Cognitiva (CST) | Recomendada para estimular linguagem, memória e funções executivas;

Terapia de Reminiscência | Bastante comum para evocar memórias autobiográficas, melhorando o humor e a cognição;

Musicoterapia e dança | Mostram efeitos positivos na memória, humor e sintomas neuropsiquiátricos;

Terapia ocupacional | Ajuda a manter a independência nas atividades diárias;

Exercícios físicos | Podem melhorar a função cognitiva e o bem-estar geral.

Estimulação magnética transcraniana repetitiva (EMTR) e acupuntura | Por fim, emergem como opções promissoras para melhorar as funções cognitivas.

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Cuidados paliativos em casos de demência

À medida que a demência progride para estágios avançados, os cuidados paliativos tornam-se cada vez mais importantes. Afinal, estes cuidados focam em:

– Controle de sintomas físicos, como dor e desconforto;

– Suporte emocional e espiritual para o paciente e família;

– Manutenção da dignidade e qualidade de vida;

– Tomada de decisões éticas sobre tratamentos de fim de vida.

Ou seja, os cuidados paliativos na demência requerem uma abordagem individualizada e que respeitem respeitando os desejos do paciente e da família. Para isso, precisam se adaptar às mudanças nas necessidades do paciente ao longo do tempo.

Expectativa de vida e prognóstico

A expectativa de vida e o prognóstico na demência variam significativamente, dependendo do tipo de demência, da idade de início, das comorbidades e de outros fatores individuais.

Por exemplo, para a Doença de Alzheimer, que é a forma mais comum de demência, a expectativa de vida média após o diagnóstico é de aproximadamente 8 a 10 anos.

No entanto, é importante notar que alguns indivíduos podem viver até 20 anos após o diagnóstico inicial.

Contudo, na demência vascular, a segunda causa mais comum de demência, a expectativa de vida pode ser menor, variando de 3 a 5 anos após o diagnóstico, devido ao risco aumentado de eventos vasculares recorrentes.

Fatores que influenciam o prognóstico

É crucial entender que cada caso de demência é único. Por isso, o prognóstico deve ser discutido individualmente com o paciente e seus familiares e considerar todos estes fatores. Dessa forma, o foco do cuidado deve estar não apenas na extensão da vida, mas principalmente na manutenção da qualidade de vida e dignidade do paciente ao longo de todo o curso da doença.

Em resumo, vários fatores podem influenciar o prognóstico da demência, como por exemplo: a idade no diagnóstico, o tipo e a gravidade da demência, comorbidades coexistentes, suporte social, estilo de vida e, claro, a resposta do paciente ao tratamento.

Primeiros sinais de demência - infográfico EnLite

Como lidar com uma pessoa com demência?

Em síntese, cuidar de alguém com demência é um desafio complexo que requer paciência, compreensão e adaptação constante. Para isso, existem várias estratégias que os cuidadores podem adotar para melhorar a qualidade de vida tanto do paciente quanto do próprio cuidador.

Estabelecer uma rotina estruturada

Primeiramente, a previsibilidade ajuda a reduzir a confusão e a ansiedade em pessoas com demência. Por isso, é necessário manter horários regulares para refeições, medicações e atividades diárias.

Simplificar as tarefas

Em seguida, o ideal é dividir atividades complexas em etapas menores e mais gerenciáveis. Isso ajuda a preservar a independência do paciente pelo maior tempo possível.

Comunicar-se de forma eficaz

Significa usar frases curtas e simples, falar devagar e claramente, e manter contato visual. Assim, se dá tempo para o paciente processar a informação e responder.

Criar um ambiente seguro

O ideal é sempre minimizar os riscos de acidentes removendo obstáculos. Ou seja, lembrar de instalar corrimãos e melhorar a iluminação na residência da pessoa com demência.

Estimular a memória

Use fotos, músicas e objetos familiares para evocar lembranças positivas e manter conexões emocionais.

Ser flexível com a pessoa com demência

Por último, esteja preparado para adaptar suas abordagens à medida que a condição do paciente muda.

Importância do suporte emocional e psicológico

Todos que convivem com uma pessoa com demência, certamente, sabem. O cuidado pode ser emocionalmente desgastante. Por isso, é fundamental que os cuidadores também cuidem de sua própria saúde mental e emocional. De modo geral, é necessário que eles:

Reconheça seus limites | Afinal, é normal sentir-se frustrado ou sobrecarregado. Sendo assim, aceite que não pode controlar tudo;

Pratique o autocuidado | O ideal é reservar tempo para atividades que você gosta e que ajudam a reduzir o estresse;

Mantenha conexões sociais | Em resumo, nunca se isole. Mantenha contato com amigos e familiares;

Busque ajuda profissional | Considere terapia ou aconselhamento para lidar com o estresse e as emoções complexas associadas ao cuidado;

Participe de grupos de apoio | Também ajuda compartilhar experiências com outros cuidadores. Isso porque, ao dividir seus medos, desafios e cotidiano, é possível encontrar conforto e informação na presença do outro.

Prevenção da demência

Ainda que não exista uma forma garantida de prevenir a demência, pesquisas indicam que certos estilos de vida e hábitos podem reduzir significativamente o risco de desenvolver a condição. A seguir, elencamos algumas orientações importantes a seguir.

1 | Alimentação balanceada

Primeiramente, todos devem saber que uma dieta rica em vegetais, frutas, peixes e gorduras saudáveis, como as encontradas no azeite de oliva, pode ajudar a proteger o cérebro. Além disso, a dieta mediterrânea, em particular, tem associação frequente a um menor risco de declínio cognitivo.

2 | Exercícios regulares

A atividade física regular não apenas melhora a saúde cardiovascular, mas também aumenta o fluxo sanguíneo para o cérebro, promovendo a saúde cerebral. Por isso, recomenda-se pelo menos 150 minutos de exercício moderado por semana.

3 | Controle de fatores de risco cardiovascular

Diz respeito a manter a pressão arterial, o colesterol e o açúcar no sangue em níveis saudáveis. Dessa forma, é maior a probabilidade de ter uma melhor saúde cerebral.

4 | Evitar hábitos nocivos

Não fumar e limitar o consumo de álcool são medidas importantes para reduzir o risco de demência.

5 | Sono adequado

Manter uma rotina de sono saudável é essencial para a saúde cognitiva.

6 | Atividade mental e social e a relação com as demências

Existem estudos da área de saúde mental que mostram que a atividade mental e social são capazes de reduzir em até 40% os riscos de demência. Por isso, a orientação é que se tenha ao longo da vida, em qualquer idade, as seguintes práticas:

Estimulação cognitiva | Refere-se em manter o cérebro ativo através de atividades. Por exemplo, a leitura, quebra-cabeças, aprendizado de novas habilidades ou idiomas. De modo geral, isso pode ajudar a construir a “reserva cognitiva”, que pode retardar o início dos sintomas de demência;

Engajamento social | Manter uma vida social ativa, participar de atividades comunitárias e cultivar relacionamentos próximos também são fatores protetores contra o declínio cognitivo;

Educação continuada | Por sua vez, a aprendizagem ao longo da vida, seja através de cursos formais ou hobbies, está associada a um menor risco de demência;

Gerenciamento do estresse | Práticas como meditação, yoga ou outras técnicas de relaxamento podem ajudar a reduzir o estresse crônico, que é prejudicial à saúde cerebral;

Atividades criativas | Por fim, engajar-se em artes, música ou outras atividades criativas pode estimular diferentes áreas do cérebro e promover a plasticidade neural.

redução percentual na prevalência de demência se este fator de risco for eliminado

Fatores de risco para desenvolver demência

Compreender os fatores de risco para demência é crucial para desenvolver estratégias de prevenção e intervenção precoce. Contudo, a idade é o fator de risco mais significativo para a demência. Isso porque, após os 65 anos, o risco de desenvolver demência dobra a cada cinco anos. Aos 85 anos, o risco chega a quase um terço.

No entanto, é importante notar que a demência não é uma parte normal do envelhecimento, e muitas pessoas chegam a idades avançadas sem desenvolver a condição. Por isso, é essencial sempre considerar o histórico familiar, genético, doenças cardiovasculares, lesões cerebrais, estilo de vida sedentário, perda auditiva não tratada, exposição a poluentes, sono inadequado, isolamento social e depressão.

Além disso, níveis mais baixos de educação formal estão associados a um risco aumentado de demência, possivelmente devido à menor reserva cognitiva.

Cuidados na prevenção da demência e a tecnologia

No cenário atual de avanços tecnológicos, o TELLAPP (Toolkit to Examine Lifelike Language) é uma aplicação web revolucionária desenvolvida para auxiliar na análise de fala e linguagem, com foco especial em pesquisas sobre saúde cerebral. Em resumo, esta ferramenta inovadora oferece uma plataforma intuitiva para coletar, criptografar, analisar, baixar e visualizar dados de fala e linguagem, tanto para fins de pesquisa quanto clínicos.

Além disso, o aplicativo inclui uma variedade de tarefas. Por exemplo, a descrição de rotina, reconto de vídeos e leitura de textos, cada uma projetada para avaliar diferentes aspectos motores e cognitivos da fala.

Atualmente, o TELLAPP está sendo utilizado em 10 locais em seis países, com suporte para inglês, espanhol e português. E claro, na promessa de ser uma ferramenta valiosa na luta global contra distúrbios neurodegenerativos.

Cuidados com a saúde e o impacto nos casos de demência

Estima-se que até 40% dos casos de demência poderiam ser prevenidos ou retardados, abordando esses fatores de risco modificáveis. Outro ponto a se considerar é que a prevenção e o manejo da demência requerem uma abordagem holística que considere todos esses aspectos – desde o cuidado diário e o suporte emocional até estratégias de prevenção e compreensão dos fatores de risco.

Com o envelhecimento da população global, a importância de abordar a demência de maneira abrangente torna-se cada vez mais crucial para a saúde pública e o bem-estar individual.

Demência

Invista em um projeto terapêutico personalizado

A EnLite oferece um serviço fundamental para pacientes com demência: a construção de um Projeto Terapêutico personalizado. Em resumo, este projeto é desenvolvido para atender às necessidades específicas de cada paciente e sua família e considera os desafios únicos apresentados pela demência. O processo inclui:

– Uma consulta de admissão gratuita para avaliar as necessidades do paciente;

– Desenvolvimento de objetivos terapêuticos realistas a curto, médio e longo prazo;

– Relatórios diários para supervisionar o progresso e ajustar o tratamento conforme necessário;

– Utilização de Data Driven Science para informar decisões de tratamento.

Em síntese, este enfoque personalizado ajuda a iluminar o caminho da recuperação e fornece uma direção clara e estruturada para o tratamento da demência.

Cuidado integral e suporte familiar

Além disso, a EnLite reconhece que o cuidado de pacientes com demência vai além do tratamento médico. Por isso, oferece um sistema de suporte abrangente, que conta com:

– Prestadores de serviço altamente qualificados e constantemente supervisionados;

– Capacitações periódicas para garantir a qualidade do atendimento;

– Suporte para familiares cuidadores, ajudando a prevenir o esgotamento e o isolamento social;

– Foco na ressocialização do paciente e na manutenção da qualidade de vida;

– Abordagem que visa não apenas o paciente, mas também o bem-estar da família.

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Saúde mental é inegociável: conte com a EnLite para cuidar dela!

Após compreender de modo informativo e completo tudo que se relaciona com as demências, convidamos você a conhecer a EnLite. Com foco em se tornar referência como uma rede internacional de acompanhantes terapêuticos, nós somos uma clínica sem paredes, especializada em saúde mental e cuidado humano.

Ou seja, com a EnLite, você pode acessar serviços de acompanhantes terapêuticos de modo individualizado, humano e eficaz. Para isso, contamos com um modelo de atendimento que visa não apenas o tratamento da condição, mas também a reconstrução do tecido social afetado pela demência, proporcionando suporte tanto para o paciente quanto para seus cuidadores.

Dessa forma, a recuperação de quem busca por nossos serviços torna-se o resultado mais importante para nós. Para mais conteúdos sobre acompanhamento terapêutico e saúde mental, acesse outros artigos no Blog da EnLite.

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