O Setembro Amarelo é um evento anual que busca focar na conscientização e prevenção ao suicídio em todo o mundo. Contudo, muito mais do que uma campanha, ele propõe estratégias, discussões e desmistificações de tudo que envolve o autoextermínio.
Ou seja, há uma convergência global sobre o tema que traz para o centro do debate um assunto que costuma ser repleto de estigmas, medos e dúvidas.
De seu surgimento em meados da década de 1990, nos Estados Unidos, até figurar no calendário brasileiro de campanhas nacionais, muito se discutiu sobre a importância do Setembro Amarelo no combate ao suicídio e sua relação direta com os mais diversos tipos de transtornos mentais e comportamentais. Afinal, o objetivo principal da campanha é a valorização da vida, que inclusive conta a seu favor, nos últimos anos, com uma Rede Internacional de Acompanhantes Terapêuticos.
Por isso, para trazer o debate para um campo racional, humanizado e informativo, a EnLite preparou esse conteúdo exclusivo com tudo o que você precisa saber sobre o assunto. Acompanhe conosco e aprofunde-se em informações e estratégias que podem nortear a prevenção ao suicídio de modo eficaz e contínuo. Boa leitura!
A história do Setembro Amarelo: Como surgiu essa campanha?
As raízes do Setembro Amarelo têm origem nos Estados Unidos, em setembro de 1994. Isso porque, no dia 8 daquele mês, o adolescente de 17 anos Mike Emme se tornou notícia na imprensa estadunidense, ao tirar a própria vida em um momento de profundo desespero.
Com um bilhete escrito “Não se culpem, mamãe e papai, eu amo vocês”, Mike assinou, às 23:45, aquele que seria seu último registro de sua vida. Porém, de acordo com seus pais e amigos, Mike sempre foi um jovem brilhante, amoroso e engraçado. Ou seja, ninguém percebeu que ele precisava de ajuda ou que estava passando por problemas.
Apenas 7 minutos após o horário do bilhete, seus pais o encontraram dentro do Mustang amarelo que Mike tanto gostava. E que por sua habilidade e talento com mecânica, foi reformado pelo próprio adolescente, que o chamava de “Mustang Mike”.
O motivo de Mike ter cometido o autoextermínio nunca foi compreendido por ninguém que convivia com ele. Entretanto, assim como o alarmante número divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), entender a causa não minimiza a dor da perda de cada pessoa que opta pelo suicídio. Para se ter uma ideia, apenas em 2023, estima-se que cerca de 800 mil pessoas ao redor de todo o mundo morreram por esse motivo.

A escolha do mês e da cor do Setembro Amarelo
Durante o período de luto pela morte de Mike, tanto sua família quanto amigos pensaram em uma maneira de criar lembranças para manter a memória do jovem viva. Sendo assim, decidiram pela escolha da cor amarela – a mesma do Mustang – para as homenagens a Mike.
Em outras palavras, plantavam ali a primeira semente da campanha mundial que ficaria, posteriormente, conhecida pelo nome de Setembro Amarelo. Para isso, no dia do sepultamento de Mike, vários bilhetes com mensagens de apoio emocional foram presos em pequenas fitas amarelas, que acompanhavam cerca de 500 cartões.
Porém, uma iniciativa que buscou apenas confortar as pessoas próximas a Mike, tornou-se uma verdadeira corrente do bem. Que se iniciou com a campanha Yellow Ribbon e ainda permanece ativa em todo o mundo.
Uma mensagem de prevenção ao suicídio percorre 160 quilômetros
Cerca de 3 semanas após o enterro de Mike, seus pais receberam um telefonema de uma professora de Wyoming. Em resumo, era uma cidade que ficava a cerca de 160 quilômetros de Westminster, local onde eles moravam com o filho.
Contudo, a distância não impediu que uma aluno dessa professora recebesse o bilhete feito para o funeral de Mike. Neste caso, pelo correio, a partir de um amigo que dizia precisar de ajuda. Por fim, começaram a surgir outros relatos de vários jovens que estavam distribuindo essas mensagens e cartões por todo o país.
E ao ver que a campanha ganhava, ao longo dos anos, cada vez mais adeptos, a Organização Mundial da Saúde oficializou em 2003 o Setembro Amarelo. Para isso, escolheu como data principal o dia 10 de Setembro, mas com ações que ocorressem durante todo o mês.
Em seguida, a OMS criou a Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio (IASP, sigla em inglês), para liderar o papel global na prevenção ao suicídio. Além disso, a instituição também desenvolve continuamente estratégias que possam ser eficazes na redução, prevenção e informação sobre o autoextermínio.
A campanha Setembro Amarelo chega ao Brasil
No Brasil, o conceito de Setembro Amarelo se tornou mais forte e com ampla divulgação a partir de 2015. Afinal, foi neste ano que o Centro de Valorização da Vida (CVV) buscou parceiros para lançar a campanha em todo o território nacional. Para isso, uniu-se com o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).
Porém, a primeira edição da campanha de prevenção ao suicídio aconteceu apenas em Brasília. Mas a partir do ano seguinte, teve grande adesão de todo o país e abrangeu tanto órgãos públicos como instituições privadas, de ensino, saúde e empresas privadas.
Desde então, o Setembro Amarelo tornou-se um movimento nacional com ações multidisciplinares que incluem eventos, palestras e outras iniciativas que buscam debater o assunto sem preconceito, estigma ou julgamento. Além disso, também há a iluminação de vários monumentos públicos com a cor amarela, que tornou-se símbolo da prevenção ao suicídio em todo o mundo.
Dados importantes sobre suicídios em todo o mundo
É impossível abordar sobre o Setembro Amarelo sem, anteriormente, compreender os números que envolvem o que a campanha busca prevenir. Isso porque, mesmo sendo tabu em diversos meios sociais, há uma preocupação legítima de todos que participam de campanhas de prevenção ao suicídio. E claro, quanto maior for a compreensão sobre o tema, maior se torna as possibilidades de debate, informação e prevenção, não é mesmo?
A seguir, listamos algumas informações divulgadas pela IASP, referente ao autoextermínio ao redor do mundo.
Taxa global de suicídio no Brasil e no mundo
Segundo dados da OMS, a taxa global de suicídio é de 10,5 para cada 100 mil habitantes. Por sua vez, o Brasil tem uma situação ainda mais preocupante. Isso porque, de acordo com números oficiais, uma média de 32 brasileiros tiram a própria vida por dia.

Comparação dos números de autoextermínio com outras mortes
Para confirmar a importância de campanhas como o Setembro Amarelo, precisamos citar que o suicídio é a 4ª principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos em todo o mundo. Porém, no Brasil, ele ocupa a 2ª posição, atrás apenas dos acidentes de trânsito.
Por esse motivo, institutos como a Fiocruz distribuem periodicamente cartilhas educativas como material de apoio emocional para quem busca a prevenção ao suicídio.
Brasil ocupa o 8º lugar dos países com mais suicídios
Ainda que as taxas de suicídios variem significativamente entre as regiões brasileiras, nosso país possui uma média alta quanto o assunto são mortes dessa natureza. Em resumo, estamos atrás apenas de Índia, China, Estados Unidos, Rússia, Japão, Coreia do Sul e Paquistão.
Índices de suicídio no Brasil variam em cada região
Considerando os dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a região Sudeste passou a ter em 2022 o maior índice do país, com média de 12,1. Porém, até o ano anterior, a região Sul se manteve com a taxa mais alta do Brasil por 42 anos.

América tem curva contrária a outros continentes
A Organização Pan-Americana de Saúde (PAN) divulgou em 2021 que, entre os anos 2000 e 2019, houve uma redução significativa nas taxas de suicídio ao redor do mundo. Entretanto, enquanto a Europa variou em -47% e a região do Mediterrâneo Oriental, -17%, o continente americano teve resultado oposto a estes números. Isso porque, no mesmo período, o crescimento atingiu 17% em relação aos 20 anos anteriores.
Prevenção ao suicídio faz parte da Agenda 2030 da ONU
Muito mais do que uma campanha de prevenção ao suicídio, o Setembro Amarelo se relaciona diretamente com a Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU). Afinal, o tema está incluso no Objetivo de Desenvolvimento Social que diz respeito à saúde e bem-estar. No caso, o ODS 3, em seu tópico 3.4.
Em resumo, o objetivo foca na saúde mental e prevenção de mortes evitáveis, como é o caso do suicídio. Sendo assim, o compromisso dos países que fazem parte dessa agenda se comprometeram na redução de até um terço no número dessas mortes. E claro, o Brasil faz parte desta iniciativa mundial.
Aumento no suicídio entre adolescentes preocupa o Brasil
Um estudo publicado na revista científica The Lancet Regional Health – Americas, apurou que a taxa de suicídio entre jovens no Brasil cresceu 6% entre os anos de 2011 e 2022. Mas o que torna essa informação mais preocupante é que, a média geral por aqui é de 3,7% ao ano. Além disso, em um recorte apenas entre 2017 e 2021, essa taxa ainda sobe para 6,6%.
Setembro Amarelo na prevenção ao suicídio de pessoas idosas
Nos últimos anos, as campanhas de prevenção ao suicídio do Setembro Amarelo passaram a abranger as pessoas com idade acima dos 60 anos. Isso porque, após uma pesquisa do Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde Jorge Carelli (Claves/ENSP), percebeu-se que essa parcela da população foi negligenciada por um longo período quando o assunto era o autoextermínio. Entretanto, após uma pesquisa em 2012, conseguiu-se quantificar as notificações de suicídios nesta faixa etária entre 1980 e 2009.
A partir disso, percebeu-se que 54,6% dos municípios brasileiros tiveram registros e casos de suicídio de pessoas idosas. Ou seja, ampliar a campanha para prevenção ao suicídio era mais do que necessário a fim de abarcar com maior eficácia todas as idades.
Taxas de suicídios e suas variações quanto a gênero e classe social
Até aqui, todos os dados que foram expostos neste conteúdo consideram a prevenção do suicídio e os índices de autoexterminío apenas na questão das faixas etárias. Porém, é necessário também pontuar a oscilação dos números quando se considera o gênero e a classe social.
Afinal, o suicídio é causa de morte de 12,6 a cada 100 mil homens, enquanto as mulheres possuem uma média global de 5,4. Além disso, o índice masculino sobe para 16,5 nos países com maior renda per capita. Por exemplo, o Japão e a Coreia do Sul.
Por sua vez, a taxa entre as mulheres atinge 7,1 em países de baixa ou média renda por pessoa. Esse é o caso do Lesoto, Guiana e Suriname.

Transtornos mentais como pauta urgente a se discutir
Por fim, antes de trazermos as estratégias com maior probabilidade de eficácia na prevenção ao suicídio, é necessário explicar como a saúde mental é o fio condutor da maior parte dos índices de autoextermínio.
Para se ter ideia, um boletim do Observatório Nacional da Família avaliou que, aproximadamente, 96,8% dos casos de suicídio no Brasil se relacionam com transtornos mentais. Por exemplo, a depressão, ansiedade, transtornos psicóticos ou de natureza pós-traumática. Sobre eles, abordaremos com mais profundidade no tópico seguinte.
Saúde mental no foco da prevenção ao suicídio: entenda a importância do Setembro Amarelo
Ainda que questões que envolvem o convívio social, familiar ou profissional possam potencializar os índices de suicídio em todo o mundo, os transtornos mentais estão no topo de como a abordagem no Setembro Amarelo precisam se iniciar.
Afinal, a própria OMS precisou realizar a maior revisão de seus dados, após avaliar que, em 2019, quase 1 bilhão de pessoas viviam com algum tipo de transtorno mental. Além disso, a organização apurou que pessoas com condições graves de saúde mental vivem até 20 anos a menos que a população em geral.
Ou seja, mesmo quando há questões estruturais como desigualdades sociais, econômicas, guerra, crises climáticas ou de saúde pública, isto ainda não é capaz de orientar uma pessoa ao autoextermínio. Porém, é um passo curto até o agravamento da saúde mental, que por fim, pode potencializar tendências suicidas ou mesmo o ato em si.
A seguir, elencamos os principais transtornos mentais que precisam figurar na pauta de qualquer campanha de Setembro Amarelo. Continue a leitura.
Depressão
Primeiramente, temos o transtorno mental que tem associação mais frequente ao suicídio. Isso porque a depressão é capaz de afetar a forma como uma pessoa se sente, pensa e lida com suas atividades diárias.
Ou seja, ela vai muito além de uma tristeza pontual ou desânimo, já que pode reduzir o interesse ou prazer na interação social, trabalho ou hobbies. Além disso, por se originar de diferentes cenários, não é possível sem uma avaliação profissional, pensar em estratégias para combatê-la ou preveni-la.
Atualmente, o Ministério da Saúde do Brasil informa que 15,5% da população brasileira possui algum quadro de depressão ao longo da vida. Em outras palavras, esse número representa quase 10% do número global, que estima-se ser de cerca de 300 milhões de pessoas com depressão.
Transtorno bipolar e a importância da prevenção ao suicídio
Com incidência em cerca de 4% da população brasileira, o transtorno bipolar afeta mais de 140 milhões de pessoas em todo o mundo. Porém, se certificar deste diagnóstico pode levar vários anos e, até que aconteça, costuma acarretar vários episódios preocupantes. Como por exemplo, comportamentos que geram alterações exageradas de humor, quadros de mania ou depressão e até mesmo tentativas de suicídio.
Para se ter uma ideia, a Associação Brasileira de Transtorno Bipolar (ABTB) defende que entre 30% a 50% dos brasileiros com transtornos mentais bipolares tentam tirar a própria vida. E infelizmente, cerca de 20% deles conseguem.
Ansiedade
Por sua vez, a ansiedade também deve ser pauta em campanhas como o Setembro Amarelo quando seu quadro se torna excessivo ou persistente. Isso porque, nesta situação, ele pode interferir na vida do indivíduo e causar forte apreensão, medo ou desconforto em determinados casos.
Ainda há casos onde a ansiedade pode resultar em um transtorno de pânico, fobia ou mesmo estresse pós-traumático. Por sua vez, tudo isso pode se potencializar com outros transtornos mentais – como o caso da depressão – e levar ao risco do autoextermínio. Por exemplo, em uma pesquisa científica feita na Holanda, viu-se que a ideação suicida era 2,48 vezes maior em pessoas com transtorno de ansiedade.
Transtornos mentais de personalidade
Nos dias de hoje, tornou-se habitual as pessoas se autodiagnosticarem com os mais diferentes transtornos de personalidade. Por exemplo, se autodeclarar antissocial, borderline, narcisista ou mesmo obsessiva-compulsiva a partir de um comportamento pontual ou que sequer determina prejuízo em sua vida.
Sendo assim, é primordial que conteúdos para campanha de prevenção ao suicídio e palestras informativas sobre o Setembro Amarelo considere a abordagem profissional deste assunto. Além disso, a orientação correta sobre buscar o diagnóstico e iniciar um acompanhamento pode impactar em qualidade de vida e ajudar na prevenção ao suicídio resultante deste cenário clínico.
Outros fatores importantes nas abordagens do Setembro Amarelo
Se os quadros de transtornos mentais são agravantes entre os gatilhos que podem levar ao suicídio, há fatores sociais que também costumam antecipá-los, causá-los ou acompanhá-los. Abaixo, listamos os principais entre eles, que também devem estar na pauta de uma campanha para o Setembro Amarelo.
Questões sociais e o impacto direto na saúde mental
O bullying, o cyberbullying, a pressão social, os problemas financeiros e a instabilidade emocional são fatores que contribuem para o suicídio. Mas enquanto alguns ainda são vistos como um comportamento anteriormente comum, estudos já mostram como eles são muito mais danosos do que parecem.
Por exemplo, em uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Estatística (IBGE) com 188 mil adolescentes em fase escolar, descobriu-que que 1 a cada 5 jovens que sofrem bullying já pensaram em suicídio.
A questão é tão preocupante que a legislação brasileira criou a Lei do Bullying (Lei 13.185/2015) para defini-lo e discutir como combater o problema. Afinal, isso impacta diretamente como uma forma de prevenção ao suicídio entre jovens.

Histórico familiar como pauta no Setembro Amarelo
No campo de estudos sobre saúde mental, há dados que mostram que um histórico familiar de suicídio ou de transtornos mentais, aumenta o risco da pessoa pensar ou cometer o autoextermínio.
Além disso, quando o ambiente familiar apresenta crises, brigas frequentes, conflitos ou qualquer outro tipo de desestruturação, a tendência é impactar na saúde mental do indivíduo. Por isso, uma campanha de Setembro Amarelo que busca eficiência deve considerar o acolhimento humanizado para entender o cenário que envolve a pessoa.
Crises da vida e isolamento pessoal
Por fim, eventos estressantes como separações, perda de emprego ou a morte de uma pessoa querida podem precipitar comportamentos suicidas. E mesmo quando elas pareçam pontuais ou de menor importância, nunca se deve minimizar o modo como o outro sente.
Isso porque, em um quadro mais grave, a questão é capaz de gerar uma situação de falta de apoio emocional e intensifica o sentimento de solidão e desespero.
E justamente por não haver uma capacidade única de mensurar essa dor, ela pode se tornar tão grande quanto a que devia ter Mike Emme, não é mesmo?
Estratégias eficazes para prevenir o suicídio: O que você precisa saber
Para listar as estratégias abaixo, optamos por relacioná-las ao que pode estar presente em ações do Setembro Amarelo. Contudo, a orientação que trazemos aqui não deve, em ocasião alguma, ter aplicação prática como única metodologia na prevenção ao suicídio.
Afinal, toda a complexidade que envolve esse assunto está em constante mudança de métodos, soluções e iniciativas. Sendo assim, considere utilizar as estratégias que melhor se adequem ao seu contexto, expertise e envolvimento em ações dessa natureza.
1 | Tudo começa com a informação: compartilhe-a!
A primeira estratégia não poderia ser outra. Por isso, comece com a preparação de um material realmente rico, informativo e de fácil acesso sobre o Setembro Amarelo.
Em resumo, para quem pretende participar de palestras, workshops ou eventos sobre prevenção ao suicídio, é necessário ter consigo cartilhas, manuais e material didático de fontes confiáveis.
Atente-se também em disponibilizá-los em versões digitais, que são muito mais fáceis de compartilhar e contam com versões gratuitas em diversos sites. A seguir, reunimos alguns links que podem servir de orientação seguro sobre o Setembro Amarelo.
Cartilha do Governo Federal (É necessário logar em sua conta gov.br)
Suicídio: saber, agir e prevenir (Cartilha do CVV)
Como vai você? CVV (Guia para pais e educadores)
Live Life (Cartilha da OMS, não disponível em português)
2 | Esteja atento aos sinais mas não se oriente apenas por eles
Em todo conteúdo sobre o Setembro Amarelo e a prevenção ao suicídio é comum encontrar uma relação de sinais que podem indicar uma tendência. E obviamente, eles fazem parte de comportamentos que estavam presentes na maior parte de quem cometeu o autoextermínio.
Por exemplo, os quadros de tristeza excessiva, isolamento, mudanças no comportamento, alterações nos padrões de sono, desinteresse geral, entre outros. Contudo, é bastante comum que o suicídio aconteça sem que a pessoa demonstre nenhum destes sinais.
Lembra da história do Mike que contamos no início deste texto? Pois então, ela pode se encaixar aqui, assim como a de tantas outras pessoas.
Sendo assim, como não é possível prever ou detectar todos os indícios, há apenas um conselho universal a se citar: seja bom com os outros. Todo o tempo.
Acredite, mas um simples gesto de empatia, um cumprimento sincero ou um sorriso podem romper um possível ciclo ou momento negativo de alguém. Em outras palavras, essa pode ser a única forma de romper silêncios que escondem uma tendência de tirar a própria vida.
3 | Reforce a importância dos profissionais de saúde mental
Por muitos anos, ir a um psicólogo ou terapeuta era visto com maus olhos por boa parte da população. Mas neste mesmo período, o mundo ainda enfrentava soluções assustadoras para o cuidado com a saúde mental, como manicômios e procedimentos de choques elétricos.
Deste contexto, saiu toda a evolução do que a ciência compreende e estuda de modo contínuo nas mais diversas especialidades de profissionais desta área. E hoje temos psicólogos, terapeutas, psiquiatras, analistas e toda uma variedade de opções que são capazes de diagnosticar, acompanhar, tratar ou minimizar possíveis quadros que podem levar ao suicídio.
Então, nunca abra mão destes profissionais quando houver qualquer campanha de prevenção ao suicídio, durante, antes ou depois do Setembro Amarelo. Para isso, estimule sempre que todos procurem por ajuda e nunca desconsidere a importância deles no trato com a saúde mental.
4 | Aprenda sobre Primeiros Socorros Emocionais
Sabe os primeiros socorros que se aprende, por exemplo, ao tirar a carteira de habilitação? E que busca ensinar o que fazer (e não fazer) em casos de urgência ou emergência? Pois os primeiros socorros emocionais, nada mais é, do que a versão com foco na saúde mental deste mesmo tipo de prática.
Em resumo, ele é um conjunto de orientações e comportamentos que podem ser eficazes para ajudar uma pessoa em crise emocional ou num momento difícil. Dessa forma, torna-se possível oferecer suporte e evitar uma situação extrema.
Por isso, os primeiros socorros emocionais podem figurar entre os temas de uma campanha de prevenção ao suicídio no Setembro Amarelo. E a partir do conhecimento de um profissional da área, é possível aprender sobre reconhecimento da dor emocional, escuta ativa, técnicas para criar um ambiente seguro e tranquilo, entre outros.
Dessa forma, também fica mais fácil orientar a pessoa para buscar um serviço de saúde mental, não concorda?
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5. Use o Setembro Amarelo para compartilhar recursos úteis para quem precisa de ajuda
Assim como acontece com outras datas de conscientização sobre determinado assunto, o Setembro Amarelo não é uma campanha restrita a um período. Em outras palavras, as ações que buscam a prevenção ao suicídio não devem se limitar ao mês de setembro.
Porém, para que tenham continuidade e efetividade, deve-se estimular o incentivo a fatores de proteção durante todo o ano.
Por exemplo, através da organização de eventos comunitários e fortalecimento de conexões sociais e habilidade de enfrentamento. Além disso, todos os envolvidos em campanhas desta natureza precisam trabalhar diariamente o sentimento de empatia. Dessa forma, estarão abertos a receber sem julgamento ou conceito, possíveis pessoas que passam por problemas que podem resultar no autoextermínio.

6 | Participe e incentive a criação de uma rede de apoio
Uma rede de apoio para a prevenção ao suicídio pode surgir através de iniciativas do Setembro Amarelo. Mas para que conte com elos fortes, o ideal é que ela envolva familiares, amigos, profissionais de saúde e instituições.
Além disso, em tempos de socialização digital, deve-se investir em mecanismos como grupos online que gerem debate sem estigma sobre o assunto. Também tenha sempre disponível os contatos fundamentais para situações de emergência. Como por exemplo, de pessoas próximas, psicólogos, psiquiatras e assistentes sociais.
Dentre os contato essenciais, não se esqueça de incluir:
188 | Atendimento via telefone do Centro de Valorização da Vida (24 horas);
Site oficial do CVV | Para informações oficiais sobre prevenção ao suicídio;
Chat CVV | Disponível gratuitamente para contato via internet;
192 | Central do Serviço de Atendimento Móvel de Emergência, recomendado pela Agência Brasil para urgências e emergências em casos de tentativa de autoextermínio;
Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) | disponível gratuitamente via SUS, com atendimento presencial através das unidades básicas de saúde;
Além disso, diversos órgãos do terceiro setor, como a Cruz Vermelha Brasileira e a Associação Brasileira de Estudos e Prevenção ao Suicídio (ABPS) possui lista de links úteis para consultas, informações e contatos.
7 | Conheça e acesse os benefícios da rede internacional de acompanhantes terapêuticos
A rede internacional de acompanhantes terapêuticos (RIAT) é uma iniciativa que visa promover a prática do acompanhamento terapêutico em diversas partes do mundo. Em resumo, ela integra profissionais que atuam na saúde mental de modo a compartilhar experiências, metodologias e conhecimentos. Dessa forma, facilita-se a troca de informações sobre intervenções e estratégias de cuidado na prevenção ao sucídio.
Ou seja, em casos onde seja necessário o acompanhamento terapêutico, você pode contar com uma abordagem capaz de oferecer suporte a indivíduos com dificuldades emocionais, comportamentais ou sociais.
Aqui na EnLite, por exemplo, você encontra serviços de cuidado humano. Dessa forma, consegue encontrar as melhores soluções com a construção de um projeto terapêutico personalizado.
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Mitos sobre suicídio: Como o Setembro Amarelo pode combater crenças comuns
Para finalizar este guia completo do Setembro Amarelo sobre prevenção ao suicídio, confira algumas crenças sobre o assunto que ainda se apresentam envoltas de equívocos.
1 | Mito: A imprensa não divulga suicídio para não estimular
Ao divulgar tentativas ou casos de suicídio, a imprensa possui diretrizes éticas que compõem o Manual para profissionais da mídia da OMS. Ou seja, ela pode sim abordar a questão, mas deve cumprir regras que evitem o estímulo, incentivo e promovam a prevenção ao suicídio.
Por exemplo, recomenda-se que a notícia evite detalhes gráficos, sensacionalismo, publicação de imagens, local do ato ou métodos. Além disso, deve-se evitar a linguagem mórbida, não romantizar o fato ou publicar cartas, mensagens ou vídeos de despedida.
Por fim, o jornalismo deve tratar o suicídio como um problema complexo de saúde pública. Para isso, o foco de uma notícia precisa estar na prevenção, divulgar redes de apoio disponíveis e contar com a consultoria e depoimento principal de profissionais de saúde mental.
2 | Mito: Pessoas que falam sobre suicídio não farão mal a si mesmas; elas só querem chamar a atenção
Nem sempre. E por não haver um comportamento padrão nestes casos, o ideal é nunca negligenciar qualquer menção ao suicídio. Afinal, seja durante o Setembro Amarelo como em outros meses do ano, declarações desta natureza podem ser um sinal de risco iminente a um indivíduo.
3 | Mito: O suicídio é sempre impulsivo e acontece sem aviso
A verdade é que, na grande maioria dos casos, a pessoa que pensa em suicídio tende a mandar sinais anteriores ao fato. Contudo, alguns podem ser mais diretos enquanto outros, sutis.
Por isso, uma prevenção ao suicídio eficaz precisa considerar todas as nuances possíveis.
4 | Mito: Indivíduos suicidas querem realmente morrer
Muitas pessoas que têm ideação suicida não desejam morrer, mas sim acabar com a dor emocional pela qual passam. Em outras palavras, elas podem ver a morte como a única solução para seus problemas e aí reside a importância de campanhas como o Setembro Amarelo.
5 | Mito: As taxas de suicídio atingem o pico durante o inverno
Ainda que existam estudos que apontam uma maior incidência de suicídios em países de temperaturas mais baixas, isso não é uma regra. De acordo com um estudo científico conduzido pela Revista Jama Psychiatry, durante as ondas de calor, os casos de suicídio têm se mostrado em ascendência.
Especula-se que isso possa acontecer devido à redução dos níveis de serotonina, importante hormônio antidepressivo. Porém, ainda não há dados conclusivos sobre o assunto.
6 | Mito: Quando alguém mostra sinais de melhora, está fora de perigo
Uma melhora repentina pode, na verdade, indicar que a pessoa tomou a decisão de se suicidar e está apenas esperando a oportunidade. Afinal, da mesma maneira que ocorre com pessoas com histórico de dependência, o cuidado na prevenção ao suicídio é contínuo.
Por isso, nunca se deve dispensar o monitoramento e suspender o apoio emocional.
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7 | Mito: O suicídio é um ato de coragem ou covardia
Em conteúdos e palestras que abordam o Setembro Amarelo, deve-se evitar o reducionismo sobre o suicídio. Isso porque ele é um problema complexo que resulta de múltiplos fatores.
Em outras palavras, sua compreensão passa sempre em observá-lo como uma crise de saúde mental e não como um julgamento moral sobre a coragem ou covardia da pessoa.
8 | Mito: Setembro Amarelo não possui efetividade na prevenção ao suicídio
Por figurar como um problema grave de saúde global, o suicídio tem em campanhas como o Setembro Amarelo, uma real oportunidade de prevenção. Afinal, mesmo com a dificuldade em mensurar dados de impacto desta natureza, ele se alinha diretamente com práticas necessárias para a valorização da vida através da saúde mental.
9 | Mito: Suicídio é coisa de rico
Não. Infelizmente o suicídio não possui classe social e, se assim fosse, os estudos de prevenção teriam maior assertividade em detectar possíveis cenários em que ele ocorre.
E ainda que um dos motivos que o precedem possa ser a situação financeira, ele se faz presente em diferentes idades, gêneros, contextos sociais e econômicos.
10 | Mito: Crianças não cometem suicídio porque não entendem sobre a morte
Por fim, este é um mito que merece atenção em campanhas de prevenção ao suicídio no Setembro Amarelo. Isso porque, mesmo com um índice bem abaixo de outras faixas etárias (1,33), dados do portal Datasus mostram que, apenas em 2022, 1.194 crianças no Brasil foram a óbito por suicídio.
Nestes casos, as causas mais frequentes costumam se relacionar com conflitos familiares ou algum tipo de abuso, seja ele sexual ou psicológico.
Saúde mental é inegociável: conte com a EnLite para cuidar dela!
Após compreender de modo completo e informativo sobre o Setembro Amarelo e a importância da prevenção ao suicídio, convidamos você a conhecer a EnLite. Com foco em se tornar referência como uma rede internacional de acompanhantes terapêuticos, nós somos uma clínica sem paredes, especializada em saúde mental e cuidado humano.
Ou seja, com a EnLite, você pode acessar serviços de acompanhantes terapêuticos de modo individualizado, humano e eficaz. Para isso, realizamos uma consulta de admissão para conhecer a sua necessidade e selecionamos o profissional que se alinha melhor ao que você precisa.
Dessa forma, a recuperação de quem busca por nossos serviços torna-se o resultado mais importante para nós.Para outros conteúdos sobre acompanhamento terapêutico e saúde mental, acesse outros artigos no Blog da EnLite.
