Em tempos de maior cuidado com a saúde mental, a abordagem dos transtornos emocionais se tornaram, ao mesmo tempo, uma necessidade e um tabu. Afinal, mesmo após o fim da pandemia da Covid-19 e os graves problemas que ela potencializou na população, o trato com questões dessa natureza passou a exigir uma atenção especial.
Isso porque, de uma lado, tivemos uma ascendência no número de pessoas com diagnóstico de transtornos emocionais. Por outro, houve uma certa banalização em se autodeterminar com certos quadros de saúde mental, sem a chancela de um profissional.
Por isso, a EnLite Health Solutions preparou esse conteúdo exclusivo que vai explicar tudo sobre os transtornos emocionais e a importância de compreendê-los. Por fim, explicaremos a sua relação com a EnLite Health Solutions. Confira conosco e boa leitura!
Afinal, transtornos emocionais e transtornos mentais são a mesma coisa?
Primeiramente, é importante explicar que a Organização Mundial da Saúde (OMS) e outros órgãos utilizam o termo “transtornos mentais” para descrever condições gerais que se relacionam à saúde mental de modo amplo. Ou seja, essa terminologia se refere a emoções, aspectos cognitivos e também comportamentais.
Então, ainda que ambos os termos tenham relação direta um com o outro, quando falamos em transtornos emocionais, a referência é direta às emoções. Em outras palavras, dizem respeito às reações complexas que acontecem como resposta a estímulos ambientais e internos. Dessa forma, pode-se afirmar que ela envolve componentes fisiológicos, comportamentais e subjetivos.
Em resumo, todos os transtornos emocionais são transtornos mentais, mas os transtornos mentais, nem sempre, possuem cunho emocional.
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Importância e definição das emoções
Quem já assistiu à Divertidamente, animação de sucesso da Disney em parceria com a Pixar, vai entender esse tópico de modo bem funcional. Afinal, o desenho aborda justamente as questões que envolvem as emoções de um ser humano.
A partir disso, pode-se explicar que emoções são estados mentais e fisiológicos que provocam reações motoras e glandulares. E claro, são capazes de afetar desde nosso comportamento, relações sociais até a aprendizagem.
A palavra emoção vem do latim “emovere”, que significa “mover para fora” ou “afastar-se”. Ou seja, isso indica a sua representação em cada indivíduo quando estas emoções refletem externamente em nossas ações.
Contudo, é necessário pontuar que as emoções têm funções adaptativas e ajudam os indivíduos a responder a desafios e oportunidades no ambiente. Para isso, elas atuam como um mecanismo de sobrevivência.
Além disso, também permitem que as pessoas reconheçam e se adaptem a situações que podem ser benéficas ou prejudiciais.

As emoções básicas do ser humano
A maior parte das correntes de estudo sobre saúde mental e transtornos emocionais consideram que existem 6 emoções universais e inatas. Em resumo, que todas as pessoas têm ou deveriam ter e, sem qualquer estímulo, existem desde o nascimento. São elas:
- Alegria;
- Tristeza;
- Medo;
- Surpresa;
- Nojo;
- Raiva.
De modo geral, elas figuram entre as emoções primárias por se apresentarem de modo mais simples e se relacionarem a expressões faciais específicas. De acordo com Paul Ekman e Robert Plutchik, dois estudiosos referência no assunto, da combinação destas 6 emoções, surgem outras mais complexas.
Experiência emocional
Mas se existem emoções primárias universais e inatas, qual o motivo dos transtornos emocionais e a importância delas em cada indivíduo? Pois bem, a resposta é justamente o fato de que as emoções são experiências subjetivas.
Em resumo, isso significa que podem ter vivências e percepções de maneira diferente por cada pessoa. Além disso, elas podem gerar reações físicas, como alterações na frequência cardíaca, respiração e expressões faciais, que são frequentemente involuntárias e rápidas.
E claro, a depender da combinação das emoções, passamos por uma experiência única e complexa, que se potencializa inclusive pelas emoções secundárias e de fundo.
Emoções secundárias
Um modo inteligente de entender as emoções secundárias é pensar nelas a partir do espiral de cores. Neste caso, a relação que fizemos anteriormente seriam as cores primárias. Por sua vez, suas combinações resultam em outras paletas de cores e tons, o que no nosso caso, significa sentimentos com maior complexidade.
Entretanto, isso só acontece porque as emoções podem sofrer influência de fatores como cultura, moralidade e experiências pessoais. Por isso, é possível afirmar que as emoções secundárias se originam da interação social e se inicia, geralmente, a partir dos 2 ou 3 anos.
Alguns exemplos de emoções secundárias são: vergonha, culpa, orgulho, ciúmes e empatia. Por exemplo, a vergonha pode surgir em uma situação de medo (emoção primária) de rejeição entre os amigos, o que leva a uma resposta emocional mais complexa.
Emoções de fundo
Por fim, para iniciarmos um aprofundamento sobre os transtornos emocionais, deve-se explicar também as emoções de fundo. Isso porque elas se referem a estados emocionais mais duradouros e sutis. Em resumo, não tão perceptíveis quanto as emoções primárias e secundárias e com semelhança a um clima emocional.
Por exemplo, situações de melancolia, angústia, bem-estar, calma ou contentamento. Além disso, quadros emocionais de felicidade ou tristeza persistente, havendo ou não um motivo aparente para eles.
O que são os transtornos emocionais
Após entender melhor sobre as emoções, fica mais fácil definir sistematicamente os transtornos emocionais, não concorda? Por isso, pode-se afirmar que eles são condições que afetam a saúde mental e o bem-estar de um indivíduo.
Além disso, se manifestam por meio de alterações no humor, comportamento e cognição e podem surgir em qualquer fase da vida. Por fim, deve-se saber que eles são frequentemente desencadeados por fatores estressantes, tanto pessoais quanto profissionais.
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A importância do equilíbrio emocional
Se nossas emoções possuem uma complexidade e variação de uma pessoa para outra, onde se encaixam os transtornos emocionais?
De modo geral, a capacidade de reconhecer e regular as emoções é crucial para o bem-estar psicológico. Por isso, entende-se que pode haver transtornos emocionais quando o desequilíbrio destas emoções interfere negativamente no dia a dia de alguém.
Afinal, a inteligência emocional, que envolve a habilidade de identificar, compreender e gerenciar emoções, é fundamental para a saúde mental e a qualidade de vida. O que significa que ser capaz de manter a regulação emocional é necessário para conseguir lidar com o estresse e tomar decisões mais eficazes no cotidiano.
Principais transtornos mentais: características, cuidados e agravantes
De acordo com a pesquisa Gallup World Poll, disponível no site da Unesco e considerada uma das mais abrangentes sobre saúde mental, em 2009, os transtornos emocionais acometiam cerca de 25% da população mundial. Porém, em 2021, esse número saltou para 31,2%. Ou seja, em pouco mais de uma década, houve um acréscimo de 6%.
Para se ter uma ideia do número preocupante, basta considerar que temos no Brasil cerca de 160 milhões de brasileiros acima dos 15 anos de idade. Dessa forma, 6% a mais corresponde a 9,6 milhões de jovens e adultos com transtornos emocionais.
A seguir, abordaremos os quadros mais recorrentes, suas características, cuidados e o que pode agravá-los se não houver acompanhamento profissional. Continue a leitura.

Ansiedade
É óbvio que uma lista de transtornos emocionais teria para abri-la a ansiedade. Afinal, a própria OMS já alertou em seus estudos que o Brasil ocupa o topo no ranking dos países com mais pessoas ansiosas no mundo.
Em resumo, são 9,3% da população brasileira com quadros de ansiedade. Em seguida, aparece o Paraguai (7,6%), Noruega (7,4%), Nova Zelândia (7,3%) e Austrália (7%).
De modo geral, estima-se que os transtornos emocionais de ansiedade são um dos problemas que mais ocasionam a procura por acompanhamento psicológico no Brasil. Isso porque, sintomas como sensação de desconforto, tensão e medo antecipado de um perigo iminente podem atrapalhar o convívio social, seja ele afetivo, profissional ou familiar.
Além disso, em casos frequentes ou de maior persistência, a ansiedade leva a sintomas físicos como tensão muscular, sudorese e palpitações.
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Tratamento da ansiedade
O diagnóstico e tratamento da ansiedade, assim como de quaisquer outros dos transtornos emocionais, é feito por um psicólogo ou profissional de saúde mental. A partir disso, ele irá definir qual o melhor tratamento para o indivíduo.
Ou seja, reduzir ou tratar o quadro de ansiedade pode envolver desde mudanças comportamentais do dia a dia, terapia, inclusão de tempo de lazer, esporte ou cultura no cotidiano como a indicação de uma consulta psiquiátrica e o uso de medicação, em casos mais severos.
Depressão
Ainda que a depressão possa surgir em um cenário de recorrente ansiedade, ela se diferencia dele entre os transtornos mentais justamente por ocasionar um humor oposto. Afinal, o estado depressivo se caracteriza por tristeza intensa, perda de interesse em atividades, alteração no sono e apetite e dificuldade de concentração.
Além disso, estudos sobre a depressão costumam apontá-la como um estado persistente de humor por mais de duas semanas. No Brasil, o Ministério da Saúde estima que 15,5% da população possui algum quadro de depressão.
Também é necessário pontuar que a depressão possui uma condição complexa e pode resultar da combinação de dois ou mais fatores. Por exemplo, os genéticos, biológicos, psicológicos ou ambientais.
Por fim, eventos ou experiências traumáticas de grande impacto emocional, traços de personalidade mais suscetíveis a estresse e problemas de saúde física são capazes de amplificar o quadro de depressão.
Tratamento e cuidados com a depressão
Assim como a ansiedade, quem é capaz de diagnosticar e indicar o melhor tratamento para a depressão é apenas um profissional de saúde mental. Após isso, ele poderá utilizar de uma combinação de abordagens terapêuticas, como psicoterapia, mudanças no estilo de vida ou métodos alternativos.
Entretanto, em quadros mais severos, pode ser necessária uma consulta psiquiátrica, a recomendação de uso de antidepressivos ou até mesmo a internação. Afinal, quando se apresenta de forma aguda, torna-se maior o risco de suicídio ou incapacidade funcional.
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Fobia social
Em seguida, destaca-se entre os transtornos emocionais cada vez mais recorrentes, a fobia social. Isso porque ela também pode ser chamada de “ansiedade social”, uma vez que se caracteriza pelo que explicamos sobre a ansiedade mas de modo mais amplo.
Ou seja, a fobia social gera ao indivíduo um medo intenso de situações sociais como falar em público ou comer em espaços com outras pessoas presentes. Do contrário, a pessoa pode ter sintomas como tremores, palpitações, náuseas ou sudorese.
Importância de tratar a fobia social
Se não houver interferência e acompanhamento terapêutico para a fobia social, a tendência é que o indivíduo se isole. Em outras palavras, ele pode se tornar mais propenso a desenvolver sentimentos como melancolia, tristeza e solidão. Que, claro, desencadeiam outros problemas ainda mais graves.
Por sua vez, no âmbito profissional, a fobia social pode impossibilitar a realização de tarefas importantes e impedir o crescimento no trabalho. Ou ainda, fazer com que a pessoa desenvolva uma alta sensibilidade a críticas ou baixa autoestima.
O tratamento da fobia social geralmente envolve os mesmo cuidados que citamos para a ansiedade e depressão e seu diagnóstico depende obrigatoriamente de um profissional da área de saúde mental.
Transtornos alimentares emocionais
O próximo item da lista dos transtornos emocionais envolve uma questão bastante preocupante, principalmente entre os jovens. Afinal, de acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), um a cada 5 jovens de 6 a 18 anos tem transtorno alimentar. No caso das mulheres, esse número chega a um terço.
Em resumo, os transtornos alimentares emocionais são condições psiquiátricas que envolvem padrões alimentares irregulares e uma preocupação excessiva com o peso e a imagem corporal. Situação, aliás, que se tornou ainda mais preocupante após o advento das redes sociais.
Isso porque, a busca pela imagem perfeita e o compartilhamento de dicas, receitas ou dietas milagrosas foi facilitado no mundo virtual. Por exemplo, um levantamento da revista científica Plos One de 2023 identificou que 44% dos vídeos do TikTok sobre nutrição abordaram perda de peso. Além disso, outros 20% focavam na transformação corporal. E tudo isso, ajudou a potencializar os casos de transtornos alimentares.
Principais transtornos alimentares
Anorexia nervosa | Caracteriza-se pela restrição extrema de calorias, medo intenso de ganhar peso e distorção da imagem corporal;
Bulimia nervosa | Envolve episódios de compulsão alimentar seguidos por comportamentos compensatórios, como vômitos ou uso de laxantes;
Transtorno da compulsão alimentar | Caracteriza-se por episódios frequentes de comer em excesso sem comportamentos compensatórios. Além disso, o transtorno pode ser uma resposta emocional a estresse, ansiedade ou depressão;
Picanismo | Significa o consumo de substâncias não alimentares, como terra ou cabelo;
Transtorno alimentar restritivo evitativo (TARE) | Envolve evitar certos alimentos e pode levar à perda de peso significativa. Porém, como costuma se iniciar na infância, é frequentemente confundido com seletividade alimentar.
Tratamento dos transtornos alimentares
Sim, você já sabe que é necessário o diagnóstico de um profissional de saúde mental. Porém, é necessário pontuar que diversos casos de transtornos alimentares podem inclusive exigir um tratamento interdisciplinar. Por exemplo, com psicólogos, nutricionistas e, em alguns casos, terapeutas e psiquiatras.
Por fim, a identificação precoce e o suporte familiar também são fundamentais para a recuperação e reabilitação do paciente.
Transtorno de Somatização
Sabe quando alguém costuma se queixar com grande frequência sobre dores de cabeça, náuseas, fadigas ou outros desconfortos físicos, mas não há qualquer evidência médica que justifique essas queixas? Pois isso pode estar nos transtornos emocionais de somatização.
Em resumo, é uma condição que se caracteriza pela manifestação de sintomas físicos que não podem ser explicados por uma doença orgânica identificável. Nesses casos, os sintomas podem ser resultantes de fatores emocionais e psicológicos, refletindo a conexão entre mente e corpo.
Tratamento
O tratamento do transtorno de somatização geralmente envolve a psicoterapia, o apoio terapêutico contínuo e a conscientização sobre a relação entre emoções e sintomas físicos. Porém, antidepressivos ou ansiolíticos podem ser prescritos para tratar sintomas de ansiedade ou depressão associados, o que significa que, do diagnóstico ao tratamento, apenas o profissional de saúde mental está apto em acompanhar um indivíduo com tais sintomas, não é mesmo?

Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC)
O próximo na listas dos transtornos emocionais também possui uma relação bastante conturbada com o universo digital. Afinal, às vezes é necessário apenas um único comportamento repetivo ou compulsivo que o autodiagnóstico está lá: eu tenho TOC!
Contudo, devemos desmistificar essa questão e pontuar que todo mundo já experimentou um comportamento dessa natureza. Porém, para caracterizar o TOC dentre os transtornos emocionais que precisam de tratamento, ele precisa se repetir a ponto de prejudicar a execução de tarefas do dia a dia.
Ou seja, apresentar certos rituais ou ter alguma mania pode ser absolutamente normal. Mas se você quer mesmo saber se tem transtorno obsessivo compulsivo, já sabe: procure um profissional de saúde mental.
Características presentes no TOC
De modo geral, o TOC é uma ansiedade crônica que causa pensamentos e rituais repetitivos que um indivíduo não consegue controlar. Além disso, eles geram uma sensação de medo ou desconforto que exige o comportamento como gatilho para reduzir a ansiedade.
Por exemplo, quando há a limpeza exagerada das mãos ou do corpo, a verificação diversas vezes se portas e janelas estão trancadas ou acúmulo desnecessário de objetos.
Como tratar o transtorno obsessivo compulsivo
O profissional de saúde mental, após diagnosticar o TOC, irá decidir entre o tratamento terapêutico e o possível uso de medicamentos. Ou ainda, pela combinação de ambos.
Síndrome do pânico
Por último, merece figurar entre os principais transtornos emocionais a síndrome do pânico. Isso porque ela se caracteriza por crises súbitas e intensas de medo ou desconforto, que ocasionam sintomas físicos e emocionais. De modo geral, ela apresenta episódios que podem acontecer sem aviso prévio e durar até 30 minutos, em média.
Entretanto, a sensação de ansiedade é capaz de persistir por muito mais tempo, a depender do indivíduo. Além disso, a síndrome do pânico pode causar dor no peito, tontura, sensação de desmaio, medo de perder o controle ou morrer e sensações de irrealidade.
Tratamento da síndrome do pânico
Mais uma vez, é preciso procurar um profissional de saúde mental. E durante o atendimento, ele é quem irá compreender quais fatores estão contribuindo para o quadro de síndrome do pânico, já que eles podem ser muitos. Por exemplo, experiências traumáticas, histórico familiar, mudanças na vida como luto ou separação e até mesmo o uso de substâncias como cafeína, álcool ou drogas recreativas.
A depender da avaliação, o profissional entrará com o método de tratamento que considerar mais efetivo, seja ele a terapia, a medicação ou técnicas de relaxamento. E claro, quando necessário, a combinação deles.
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Transtornos de afeto: Entendendo as alterações do humor
Os transtornos de afeto, também conhecidos como transtornos do humor, são condições de saúde mental que se caracterizam por alterações significativas e persistentes no humor.
Em outras palavras, eles são transtornos emocionais que podem causar variações no humor que vão entre a depressão profunda e a euforia excessiva. Além disso, essas alterações podem interferir significativamente na vida cotidiana, nos relacionamentos e na capacidade de trabalhar.
A seguir, listamos os principais transtornos de afeto e suas características específicas.
Transtorno depressivo maior | Caracteriza-se por episódios de tristeza profunda, perda de interesse em atividades antes prazerosas, alterações no apetite e no sono, fadiga e, em alguns casos, pensamentos suicidas;
Transtorno bipolar | Em resumo, se apresenta com uma alternância entre episódios de mania (euforia, energia excessiva, impulsividade) e depressão;
Distimia | É uma forma crônica de depressão, com sintomas menos intensos que o transtorno depressivo maior, mas de longa duração;
Ciclotimia | Trata-se da alternância entre períodos de hipomania (leve mania) e de leve depressão.
Principais causas dos transtornos de afeto
Da mesma forma que acontece com quase todos os transtornos emocionais, as causas dos transtornos de afeto são complexas e multifatoriais. Afinal, costumam envolver uma combinação de fatores biológicos, psicológicos e sociais. Contudo, existem alguns fatores de risco que estão presentes na maior parte dos casos. São eles:
Genética | A predisposição genética pode aumentar o risco de desenvolver um transtorno de afeto;
Bioquímica do cérebro | Neste caso, desequilíbrios nos neurotransmissores, como a serotonina e a dopamina, podem estar relacionados ao desenvolvimento desses transtornos;
Eventos de vida estressantes | São situações como a perda de um ente querido, divórcio ou problemas financeiros. Em resumo, eles são capazes de desencadear um episódio depressivo.
Personalidade | Por fim, certos traços de personalidade, como o pessimismo e a baixa autoestima, podem aumentar a vulnerabilidade a transtornos de afeto.
Sintomas dos transtornos de afeto
Os sintomas dos transtornos de afeto podem variar dependendo do tipo de transtorno e da pessoa afetada. Alguns sintomas comuns incluem:
Alterações de humor | Por exemplo, a tristeza profunda, euforia excessiva e alta irritabilidade;
Alterações de pensamento | Quando a dificuldade de concentração, pensamentos negativos, ideias suicidas se tornam mais frequentes, isso pode indicar um quadro onde o indivíduo pode estar com transtornos emocionais de afeto;
Alterações físicas | Engana-se quem pensa que um transtorno emocional afeta apenas a saúde mental. Afinal, é comum presenciar sintomas como fadiga, alterações no apetite e no peso, insônia ou hipersonia em pessoas com transtornos de afeto;
Alterações comportamentais | Isolamento social, perda de interesse em atividades antes prazerosas, agitação ou lentidão também são recorrentes em pessoas que podem estar em um cenário de transtorno emocional.

O que é F91 na Psiquiatria: Uma explicação didática sobre os distúrbios de conduta
Na Classificação Internacional de Doenças (CID-10), o código F91 se refere aos Distúrbios de Conduta. E ele é importante no contexto de compreensão dos transtornos emocionais porque se caracteriza por um padrão repetitivo e persistente de comportamento em que os direitos dos outros ou normas sociais importantes são violados.
Além disso, este é um diagnóstico bastante frequente em crianças e adolescentes e pode explicar situações que, muitas vezes, possuem interpretação equivocada nas interações sociais. Dentre as principais características dos distúrbios de conduta, quem possui diagnóstico F91 pode apresentar comportamento de:
Agressividade | Comportamento físico agressivo contra pessoas e animais;
Destruição | Destroem propriedades e bens sem um motivo aparente;
Mentiras e fraudes | Apresentam um comportamento que pode enganar e roubar, por exemplo;
Violação de regras | Ignoram regras e normas sociais;
Falta de remorso | Dificuldade em sentir culpa ou remorso por suas ações.
Tipos de distúrbios de conduta
Mesmo sem um padrão único de comportamento, os transtornos emocionais com diagnósticos de distúrbio de conduta podem abranger desde um contexto problemático e frequente dentro de casa quanto à falta de socialização em ambientes externos.
Além disso, é possível que o indivíduo desta natureza apresenta sempre um comportamento provocador, desobediente ou perturbador.
Em qualquer um destes casos, há situações que se originam de fatores genéticos, ambientais ou neurobiológicos. Por exemplo, um histórico familiar de transtornos mentais, a exposição a violência ou abuso ou disfunções do sistema nervoso central.
Por fim, o uso de substâncias como drogas ou álcool são capazes de potencializar o quadro de distúrbio de conduta, uma vez que suas propriedades alteram o funcionamento do cérebro.
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O que quer dizer o CID F41?
Abordada anteriormente, a ansiedade é um dos transtornos emocionais que está na Classificação Internacional de Doenças (CID-10) com o CID F41. Para isso, essa categoria engloba uma variedade de condições caracterizadas por sentimentos de medo, preocupação excessiva e ansiedade que interferem significativamente na vida diária da pessoa.
A depender de sua recorrência, intensidade e impacto nas tarefas diárias, o transtorno pode se apresentar como:
Transtorno de ansiedade generalizada | Caracterizado por uma preocupação excessiva e persistente sobre uma variedade de temas, como saúde, finanças e trabalho;
Transtorno misto ansioso e depressivo | Combinação de sintomas de ansiedade e depressão;
Outros transtornos ansiosos mistos/| Quando inclui condições com características de diferentes transtornos ansiosos.
TDAH: Desmistificando um transtorno dos tempos atuais
A percepção de que o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) está mais comum nos dias de hoje é um tema complexo e que envolve diversas discussões. Afinal, a Medicina entende que não há um aumento real na incidência do TDAH, mas sim um aumento no diagnóstico.
De modo geral, o TDAH é uma condição neurobiológica que se manifesta na infância e pode persistir na vida adulta. Em síntese, ele se caracteriza por um padrão persistente de desatenção, hiperatividade e impulsividade que interfere significativamente no funcionamento diário da pessoa.
E porque parece que o TDAH está mais comum? Primeiramente, devido à sociedade atual conseguir acessar mais informação sobre o assunto. Outro ponto é que os critérios de diagnósticos para o TDAH se tornaram mais precisos e específicos ao longo dos anos, facilitando a identificação do transtorno.
Porém, é preciso pontuar que o estilo de vida moderno, com suas demandas cada vez maiores e estímulos constantes, pode tornar os sintomas do TDAH mais evidentes. Além disso, ele pode coexistir com outros transtornos mentais, como ansiedade e depressão. Na Classificação Internacional de Doenças (CID-10), o TDAH está classificado sob o código F90.0.
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Qual o CID mais grave de ansiedade?
A gravidade de um transtorno de ansiedade não se resume a um único código CID (Classificação Internacional de Doenças). Afinal, cada indivíduo experimenta a ansiedade de forma única, e a gravidade dos sintomas pode variar significativamente de uma pessoa para outra.
Sendo assim, o CID F41 engloba uma ampla gama de transtornos ansiosos, e cada um deles pode apresentar diferentes níveis de intensidade e impacto na vida da pessoa. Ou seja, não existe um CID específico que possa ser considerado o “mais grave” para todos os casos.
O motivo disso é que a ansiedade é percebida por cada pessoa de forma subjetiva. Em outras palavras, o que é incapacitante para um indivíduo pode ser mais facilmente gerenciável para outro.
Por último, é preciso explicar que em quadros onde a ansiedade coexiste com outros problemas de saúde mental, ela pode agravar o quadro clínico. E claro, fatores como idade, história de vida, suporte social e tratamento também influenciam na gravidade dos transtornos emocionais que levam à ansiedade.
O que é um transtorno de personalidade?
Ainda dentro dos transtornos emocionais, existem os transtornos de personalidade que são padrões duradouros de pensar, sentir e se relacionar. Entretanto, eles tendem a se desviar significativamente das expectativas culturais, a ponto de causar sofrimento significativo ou prejuízo no funcionamento social e ocupacional.
Para entendê-los melhor, relacionamos a seguir as características-chave dos transtornos de personalidade:
Padrões inflexíveis | Quando os comportamentos e pensamentos são rígidos e difíceis de mudar, mesmo quando causam problemas;
Início na adolescência ou início da idade adulta | Geralmente os padrões de comportamento começam a se desenvolver na adolescência ou no início da idade adulta;
Estabilidade ao longo do tempo | Os padrões de comportamento são estáveis ao longo do tempo e se manifestam em diversas situações;
Sofrimento e prejuízo | Por fim, os padrões de comportamento causam sofrimento significativo ao indivíduo ou às pessoas ao seu redor. Dessa forma, prejudicam a capacidade de funcionar em áreas importantes da vida, como trabalho, escola ou relacionamentos.
Tipos mais comuns de transtornos de personalidade
Existem diversos tipos de transtornos de personalidade, cada um com suas características específicas. Alguns dos mais frequentes incluem:
Transtorno de personalidade antissocial | Caracterizado por um padrão persistente de desrespeito e violação dos direitos dos outros;
Transtorno de personalidade borderline | Marcado por instabilidade nas relações interpessoais, autoimagem e emoções, além de impulsividade;
Transtorno de personalidade narcisista | Pontuado por um grandioso senso de auto importância, necessidade de admiração e falta de empatia;
Transtorno de personalidade evitativo | Definido por um padrão de inibição social, sentimentos de inadequação e hipersensibilidade à crítica.

Quem pode diagnosticar um transtorno emocional?
É comum que diversos profissionais da área da saúde sinalizem e indiquem a busca por tratamento de transtornos emocionais. Contudo, o diagnóstico preciso acontece apenas a partir do atendimento com profissionais específicos da área de saúde mental.
Isso porque eles estão aptos a diagnosticar o quadro através de uma escuta técnica e avaliação psicológica com base em evidências. Ou seja, é obrigatório que se busque um psiquiatra ou psicólogo a fim de compreender de modo amplo se o indivíduo sofre de quaisquer transtornos emocionais.
Além disso, o que diferencia a abordagem de cada profissional é que existem tratamentos que podem exigir apenas a mudança de hábitos ou uma psicoterapia regular. Por outro lado, há casos mais graves onde pode ser necessário ministrar medicamentos psicoativos.
Sendo assim, no caso de haver a necessidade de usar medicação, esses dois profissionais possuem expertise para o acompanhamento terapêutico e a verificação do prognóstico do paciente.
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Por que evitar a automedicação?
Não existe nenhum cenário no tratamento de qualquer doença, onde a automedicação é recomendada. Porém, quando o assunto são os transtornos emocionais, tomar medicamentos por conta própria, sem orientação médica, pode causar graves riscos à saúde e diversos efeitos colaterais.
Além disso, os remédios com indicação para o tratamento destes transtornos são de uso controlado. Ou seja, exigem a prescrição porque podem mascarar sintomas importantes e até mesmo causar dependência. Em alguns casos, eles podem ser letais, quando, por exemplo, são ministrados em doses excessivas ou com outros medicamentos.
Por isso, nunca realize ou apoie alguém a se automedicar. Dessa forma, você evita o potencial risco de intoxicação e não coloca a sua vida ou a de outro, em risco.
O que é uma anamnese clínica?
A anamnese clínica é uma investigação da história de vida e psicotestes aplicados pelos profissionais da saúde. Por esse motivo, ela é um recurso muito comum na escuta de pessoas com queixa de sofrimento psíquico.
Através da anamnese, o profissional de saúde mental consegue avaliar de modo mais assertivo quais os possíveis tratamentos psiquiátrico e psicológico para determinado quadro. Afinal, ela fornece os elementos essenciais para que se consiga um atendimento personalizado e com foco no que o paciente realmente precisa.
Algumas etapas para que a anamnese extraia os dados mais relevantes são:
- A identificação do paciente;
- Retomada do histórico médico do paciente e de sua família;
- Compreensão por parte do profissional de saúde mental dos hábitos da pessoa;
- Avaliação sobre o tempo de persistência dos sintomas. Por exemplo, insônia, alteração de apetite e da libido, dificuldade de concentração, alterações de humor, pensamentos negativos, dentre outros;
- Investigação sobre a situação de trabalho, interações sociais e ambientais do paciente.
Avaliação psicológica ou psicotestes para diagnosticar transtornos emocionais
Caso haja necessidade, os profissionais de psicologia podem recorrer aos psicotestes como ferramenta de avaliação psicológica. De modo geral, eles são similares aos exames psicológicos obrigatórios para se obter a habilitação de motorista ou pleitear determinados cargos.
Ainda que sua natureza seja desconhecida por muitas pessoas, o objetivo principal dos psicotestes é conseguir avaliar tipos, traços e dinâmicas de personalidade com maior precisão e imparcialidade.
Saúde mental é inegociável: conte com a EnLite para cuidar dela!
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Dessa forma, a recuperação de quem busca por nossos serviços torna-se o resultado mais importante para nós.
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